Entre os dias 02 e 05 de fevereiro de 2026, com a participação de 88 pessoas, foi realizada no Centro de Treinamento Diocesano de Cruzeiro do Sul (AC) a Reunião do Comitê Consultivo de Avaliação e Acompanhamento do Projeto Gestão Territorial OPIRJ. O encontro teve como objetivo avaliar os avanços do projeto e construir, de forma coletiva, recomendações para fortalecer a atuação da organização.
O Comitê Consultivo é uma instância composta por representantes da OPIRJ e dos territórios de base, responsável por acompanhar, orientar e avaliar a execução do projeto, assegurando que as ações, o uso dos recursos públicos e as decisões estejam alinhados aos objetivos definidos e aprovados coletivamente.
No caso da OPIRJ, os membros do Comitê Consultivo do Projeto Gestão Territorial são os mesmos membros do Conselho Deliberativo, conforme definido em assembleia, fortalecendo o controle social, a transparência e a participação das lideranças indígenas na gestão do projeto.
Estiveram presentes delegações de lideranças de 15 Terras Indígenas da base da OPIRJ, incluindo integrantes do Conselho Fiscal e do Conselho Deliberativo.
Para garantir a presença das lideranças, a equipe da OPIRJ mobilizou uma logística complexa, envolvendo deslocamentos por rios, estradas e voos de avião. Esses esforços refletem o compromisso da organização em reunir sua base em plenária para planejar, avaliar e fortalecer ações de forma integrada e participativa.
Gestão territorial integrada e autonomia dos territórios
Como organização regional, a OPIRJ reafirma sua capacidade de dialogar, articular e construir uma gestão territorial integrada, baseada em uma história comum e em objetivos que nascem da realidade de cada território. Por meio do Projeto Gestão Territorial OPIRJ, com apoios como o do Fundo Amazônia, a organização vem avançando na construção da autonomia dos povos indígenas do Vale do Juruá.
Reuniões como a do Comitê Consultivo são fundamentais para acompanhar a execução do projeto, avaliar seus impactos e trazer recomendações das lideranças territoriais para o fortalecimento da atuação da OPIRJ. Como resultado do encontro, construímos um documento final da reunião com Avaliações e Recomendações, registrando os debates, acordos e compromissos firmados de forma coletiva.
1º dia: Apresentação de ações executadas e planejamento
Como em todas as reuniões da OPIRJ, o encontro foi iniciado com um momento cultural. A abertura contou com a cantoria do Povo Noke Ko’î, representado pelo cacique Powa, por Petrônio e Adriano, da Terra Indígena Campinas/Katukina, e por representantes da Terra Indígena do Rio Gregório, Metxo Kamanawa e Fernando Carneiro.
Na sequência, foi exibido um vídeo sobre os 17 anos do Fundo Amazônia, destacando histórias de povos indígenas e extrativistas e iniciativas apoiadas na luta pela proteção dos territórios.
Mesa de abertura

A mesa de abertura foi mediada por Luiz Nukini (tesoureiro da OPIRJ) e contou com a participação de Eliane Yawanawa (secretária da OPIRJ), Francisco Piyãko (coordenador da OPIRJ), Petrônio Noke Ko’î (2º tesoureiro da OPIRJ), Isaac Piyãko (coordenador do DSEI Alto Juruá), Auricélio (presidente do CONDISI/DSEI Alto Juruá) e Nedina Yawanawa (diretora na Secretaria de Povos Indígenas do Estado do Acre).
Em sua fala, o coordenador Francisco Piyãko destacou a necessidade de fortalecer a organização interna dos povos indígenas frente aos desafios atuais:

“As pessoas precisam compreender que os territórios estão ficando pequenos para as populações que vivem neles. Nossos rios e matas já não têm mais quantidade suficiente para nos sustentar. A linha da OPIRJ é promover o fortalecimento da organização interna, realizando momentos de reflexão e planejamento.”
A mesa ressaltou a importância da OPIRJ na proteção territorial, na saúde e na incidência em políticas públicas. Para Nedina Yawanawa, embora os povos indígenas ocupem espaços estratégicos de articulação, é fundamental que cada território cuide e zele do seu próprio espaço para que o trabalho coletivo aconteça.
Balanço das ações e planejamento compartilhado
Como exercício de recapitulação, o tesoureiro da OPIRJ apresentou as ações executadas em 2024 e 2025, incluindo obras, aquisições e entregas, formações, o 1º Festival Povos da Floresta, monitoramento territorial, instalação de internet (em parceria com a Rede de Conexão Povos da Floresta) e a realização de Reuniões Estratégicas da OPIRJ.
No período da tarde, a programação seguiu com o planejamento compartilhado entre a OPIRJ e os territórios, com foco na organização das agendas e na execução das próximas atividades. Entre os principais pontos debatidos estiveram:
- Entrega de equipamentos dos Núcleos Indígenas de Gestão Integrada (NIGIs) nas Terras Indígenas Kampa do Rio Amônia, Nukini, Arara do Amônia, Kuntanawa e Rio Gregório;
- Entrega de materiais para tanques manuais em diversas Terras Indígenas da base;
- Alinhamento das agendas de monitoramento territorial;
- Discussão e programação para a atualização dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs).
Sobre os NIGIs, Francisco Piyãko destacou:
“Estamos construindo novos hábitos para a gestão territorial regional. O NIGI é um investimento para o território, não para uma pessoa. É um espaço coletivo de debate, comunicação e aprendizagem, que deve fortalecer a Terra Indígena como um todo.”
Continuidade dos trabalhos: cultura, acervo e PGTA’s
Na manhã dos dias 03 e 04 de fevereiro de 2026, a OPIRJ deu continuidade ao planejamento das atividades e apresentou novas ações do Projeto Gestão Territorial OPIRJ, com destaque para o lançamento do TDR para Organização de Acervo e Formação de Produtores Culturais, vinculado ao Eixo 4 – Valorização Cultural. A ação será complementada por iniciativas voltadas ao fortalecimento da arte e do artesanato indígena.
O objetivo é organizar um acervo da OPIRJ, fortalecendo a autonomia no acesso à informação sobre os povos e territórios do Juruá e transformando a sede da organização em um espaço de memória, história e representatividade.
Sobre essa iniciativa, Francisco Piyãko afirmou:

“A história já é um bem. Cada detalhe tem valor. Só sabemos para onde vamos se temos história. Corremos o risco de perder nossa memória se não cuidarmos dela. Esse trabalho é um começo para garantir que nossas histórias sigam vivas.”
Planos de Gestão Territorial e Ambiental
Também foi realizado um debate de alinhamento sobre os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), instrumentos previstos na PNGATI. Foram compartilhadas informações sobre a situação de cada território e os processos de atualização dos planos.
Na fala de Erisson Nukini, o PGTA foi destacado como ferramenta central de organização territorial:
“O PGTA foi o principal instrumento de gestão do nosso território. Foi a partir dele que começamos a discutir desmatamento, criação de gado e fortalecimento da cultura. Ele é um instrumento jurídico próprio de cada povo.”

Plenária da Reunião do Comitê Consultivo de avaliação acompanhamento do Projeto Gestão Territorial OPIRJ
Avaliações e recomendações para a atuação da OPIRJ
As avaliações reafirmaram a importância do projeto, estruturado em quatro eixos — fortalecimento institucional, gestão territorial e ambiental, segurança alimentar e valorização cultural — e destacaram os impactos positivos das estruturas, formações e ações de proteção territorial.
Foram reforçadas recomendações relacionadas ao monitoramento de invasões, fortalecimento da comunicação, participação de jovens e mulheres, atualização dos PGTAs, proteção territorial regional, valorização cultural e continuidade do diálogo permanente entre a OPIRJ e os territórios.
As avaliações e recomendações aprovadas em plenária passam a integrar os instrumentos de governança da OPIRJ, fortalecendo sua atuação regional e coletiva no Vale do Juruá.
INAUGURAÇÃO DA SEDE DA OPIRJ APÓS REFORMA E AMPLIAÇÃO
Como marco do fortalecimento institucional, na tarde do dia 05 de fevereiro de 2026 foi inaugurada a sede da OPIRJ, ampliada e reformada com recursos do Projeto Gestão Territorial OPIRJ, com apoio do Fundo Amazônia, consolidando a atuação regional da organização no Vale do Juruá.
Seguimos coletivamente na luta e na construção da Gestão Territorial Regional no Vale do Juruá.
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