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OFICINA DE TREINAMENTO EM CONFIGURAÇÃO DO APLICATIVO DE MONITORAMENTO TERRITORIAL – PROJETO JURUÁ SUSTENTÁVEL 

Com o objetivo de fortalecer a autonomia e o protagonismo das comunidades indígenas na gestão de seus territórios, foi realizada, entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro de 2025, a Oficina de Treinamento em Configuração do Aplicativo de Monitoramento Territorial – Juruá Sustentável, realizada no Centro Yorenka Ãtame em Marechal Thaumaturgo. A atividade teve como foco a capacitação das equipes indígenas das Terras Indígenas participantes para o uso dos aplicativos ArcGIS QuickCapture e Survey123, ferramentas que auxiliam no registro e monitoramento de informações territoriais, sem custos financeiros para os usuários.

O treinamento reuniu dois representantes de cada uma das seguintes Terras Indígenas: Kampa do Rio Amônia, Arara do Rio Amônia, Jaminawa do Igarapé Preto, Kuntanawa, Nukini, Kaxinawa/Ashaninka do Rio Breu, Jaminawa do Rio Bajé, Noke Koî, Puyanawa e Nawa. Mais do que um treinamento técnico, o encontro buscou estimular o uso de tecnologias acessíveis para proteger e cuidar da floresta, dos rios e dos espaços de uso tradicional, promovendo a autonomia das comunidades na gestão territorial e ambiental.

PRIMEIRO DIA: APRESENTAÇÕES E RODA DE CONVERSA SOBRE MONITORAMENTO TERRITORIAL

No primeiro dia, foram realizadas as apresentações iniciais e de boas-vindas, seguidas pela apresentação dos participantes e do Projeto Juruá Sustentável, conduzida pelas equipes da OPIRJ e CI-Brasil. Durante a abertura, também foram definidos os pactos de convivência e promovida uma roda de conversa sobre monitoramento territorial, com o intuito de compartilhar experiências e percepções sobre o tema.

Durante o encontro, o Cacique Zé Silva, do Povo Jaminawa do Igarapé Preto, e Idelfonso relataram as ações de monitoramento realizadas no território, ressaltando os desafios vividos pelo povo Jaminawa do Igarapé Preto diante dos momentos delicados relacionados à proteção territorial.

Foram realizadas dinâmicas práticas voltadas ao uso das ferramentas de monitoramento territorial, além do mapeamento participativo das áreas prioritárias em cada território representado. Durante as atividades, a plataforma Miro foi amplamente utilizada nas dinâmicas em grupo e nas apresentações conduzidas pelos participantes indígenas, servindo como um espaço colaborativo de registro, reflexão e análise das discussões.

A atividade contemplou o mapeamento participativo dos pontos de monitoramento, das principais ameaças e das áreas prioritárias em cada território representado.

Ao longo das rodadas de apresentação, os participantes compartilharam suas experiências no uso de diferentes aplicativos e ferramentas de monitoramento territorial, destacando vantagens, limitações e desafios enfrentados nas ações de campo.

Entre as primeiras dinâmicas, destacou-se a “Roda de Conversa sobre Monitoramento Territorial”, também conduzida na plataforma Miro, que buscou compreender as percepções dos participantes e identificar as práticas de monitoramento adotadas em cada território.

SEGUNDO DIA: CONSTRUÇÃO COLETIVA E APERFEIÇOAMENTO DAS FERRAMENTAS

O segundo dia começou com a apresentação dos resultados do mapeamento participativo realizado no dia anterior, seguida por um momento de discussão e síntese coletiva.

Em seguida, os participantes realizaram a visualização online dos mapas territoriais e participaram de atividades práticas voltadas ao aprimoramento do uso dos aplicativos de monitoramento, definindo de forma conjunta quais informações deveriam ser registradas e acompanhadas nas ferramentas digitais utilizadas.

Apresentação da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, representada por Valdecir e Piokari Piyãko, da Associação Apiwtxa.

Terra Indígena Puyanawa, representada por Pablo Puyanawa e Lucas Puyanawa, representando a Associação AAPBI.

Terra Indígena Kunatawa, representada por Elias Kunatawa e Fancisco Júnior indicados para a oficina.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outra atividade conduzida na plataforma Miro teve como foco o uso de aplicativos aplicados ao monitoramento territorial, com o objetivo de identificar as principais ferramentas de geolocalização utilizadas pelos monitores e avaliar suas funcionalidades, limitações e potencialidades.

Na sequência, foi realizada uma dinâmica voltada à percepção sobre o uso dos aplicativos, com o intuito de compreender as experiências práticas dos participantes em relação a cada ferramenta.
No Miro, foi estruturado um quadro interativo dividido em três categorias principais – “Bom”, “Dificuldades” e “O que falta?” – que serviram para organizar as observações e percepções dos grupos.

Cada equipe contribuiu inserindo comentários referentes aos aplicativos mais utilizados em suas rotinas de monitoramento, destacando aspectos positivos, desafios encontrados e sugestões de aprimoramento.

Outra atividade teve como objetivo identificar semelhanças e diferenças entre os territórios no que se refere às práticas de gestão e monitoramento. Essa dinâmica foi organizada em formato de tabela comparativa, na qual os participantes registraram aspectos comuns e distintos observados entre as diferentes Terras Indígenas.

Por fim, durante a etapa de preparação para a oficina, a plataforma Miro também foi utilizada para estruturar as categorias e botões que comporiam o aplicativo de monitoramento territorial. Essa construção colaborativa permitiu definir quais informações seriam relevantes para o registro em campo e como deveriam ser organizadas na ferramenta desenvolvida pela CI-Brasil.

Os participantes indicaram as categorias prioritárias para o monitoramento, e, a partir das discussões coletivas, foram definidos cinco principais: Ameaças, Manejo, Produção, Expedições de Vigilância e Infraestrutura. Dentro de cada categoria, os grupos elencaram os botões e elementos que desejavam incluir no aplicativo, contribuindo para uma ferramenta alinhada às necessidades e realidades locais.

Todas as informações geradas durante as atividades foram registradas no Miro em formato de fluxo visual, funcionando como uma ata interativa das discussões. Esse processo possibilitou identificar boas práticas, funcionalidades relevantes e aspectos a serem aprimorados no aplicativo, reforçando o caráter participativo da construção da ferramenta.

PREPARAÇÃO TÉCNICA E ENCERRAMENTO

Ainda na etapa de preparação técnica, foram criadas 26 contas na plataforma ArcGIS Online, garantindo que todos os monitores e lideranças tivessem acesso aos aplicativos utilizados no monitoramento. Destas, 22 contas foram destinadas aos monitores participantes e 4 às lideranças e à equipe técnica da OPIRJ, totalizando 24 perfis ativos. Essas contas permitem o uso das ferramentas da ESRI, incluindo ArcGIS Online, QuickCapture e Survey123, que serão empregadas nas expedições de monitoramento para coleta e registro de informações em campo.

Laís Sarlo apresentou o aplicativo que será utilizado pelos territórios, desenvolvido a partir das discussões coletivas que definiram como prioridades cinco eixos principais: Ameaças, Manejo, Produção, Expedições de Vigilância e Infraestrutura.

Além da configuração dos acessos, foi elaborado um manual prático de uso dos aplicativos, contendo orientações passo a passo sobre como entrar na conta, acessar os formulários, registrar informações e sincronizar os dados. O material foi desenvolvido de forma didática e ilustrada, considerando as condições de uso em campo, e tem como objetivo facilitar a autonomia dos monitores e fortalecer a rotina de coleta de informações territoriais pelas comunidades.

No terceiro e último dia, a oficina contou com atividades práticas de uso dos aplicativos desenvolvidos, nas quais os participantes realizaram o mapeamento em campo utilizando as ferramentas, analisaram os dados coletados no computador e, ao final, participaram de uma roda de conversa com a coordenação da OPIRJ para discutir os resultados, definir os próximos passos e encerrar a oficina.

 

Aula prática com o aplicativo para monitoramento territorial aconteceu no Centro Yorenka Ãtame em Marechal Thaumaturgo

 

 

 

 

A oficina representou um importante avanço no fortalecimento da gestão territorial indígena na região do Juruá, promovendo o uso de tecnologias digitais acessíveis como ferramentas de autonomia, proteção ambiental e valorização dos saberes locais. O coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), Francisco Piyãko, participou do encerramento da oficina e destacou a importância do aplicativo para o fortalecimento da gestão territorial.

“O monitoramento é a garantia de que estamos protegendo nossas florestas, a biodiversidade e acompanhando o avanço da autonomia dos nossos territórios a partir dessa gestão. Estamos usando a tecnologia ao nosso favor — para somar, e não para destruir.”
Francisco Piyãko, coordenador da OPIRJ

Como resultado, a equipe consolidou produtos técnicos e aprendizados coletivos, envolvendo o uso do aplicativo de campo, a visualização e análise de dados no painel digital e a definição dos próximos passos junto à coordenação da OPIRJ. Essas ações fortalecem o monitoramento territorial nos territórios apoiados pela organização, incluindo as dez Terras Indígenas contempladas pelo Projeto Juruá Sustentável.

“Esta capacitação foi importante por ampliar o entendimento do termo monitoramento para além da vigilância territorial, incorporando o georreferenciamento de dados essenciais à gestão do território, como sistemas produtivos, infraestrutura, fontes de água e sítios arqueológicos. Também foi relevante por apresentar outros aplicativos de georreferenciamento que podem somar aos já utilizados pelos territórios. A visualização de dados em mapas facilita e estimula a reflexão e o planejamento das ações, contribuindo para a implementação dos PGTAs.” Eduardo Borges (Cazuza), coordenador do Projeto Juruá Sustentável.