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A Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ) realizou a Formação em Piscicultura e Produção de Ração na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, reunindo representantes de territórios indígenas do Alto Juruá. A atividade acontece de 14 a 17 de fevereiro, com o deslocamento dos participantes iniciado no dia 13, contando com todo apoio logístico oferecido pela OPIRJ, nos pontos de gasolina em Marechal Thaumaturgo e nos locais de hospedagem, alimentação e realização da oficina de formação na Aldeia Apiwtxa.

Abertura da Formação em Piscicultura

Participaram da formação representantes das terras indígenas Jaminawa do Bagé, Arara do Rio Amônia, Kuntanawa, Kaxinawá/Ashaninka do Rio Breu e Kampa do Rio Amônia. Cada território indicou três participantes para a atividade.

A formação em piscicultura é uma iniciativa da OPIRJ por meio do Projeto Gestão Territorial OPIRJ, no eixo de Segurança Alimentar, com apoio do Fundo Amazônia. A atividade complementa outras ações do projeto. No eixo de segurança alimentar, os territórios indígenas foram contemplados com a construção de açudes, e após a formação irão receber alevinos e ração, como forma de fortalecer a segurança alimentar nas comunidades.

Nesse contexto, a formação teve como objetivo preparar tecnicamente os participantes para o manejo da piscicultura em seus territórios, garantindo a continuidade dos trabalhos já iniciados. A proposta é fortalecer a autonomia das comunidades, promovendo conhecimentos que contribuam para a gestão sustentável dos recursos e reduzam a dependência de políticas externas.

Aula prática da Formação em Piscicultura e Produção de Ração na TI-Kampa do Rio Amônia

Segundo o coordenador Francisco Piyãko, “O que queremos é que os territórios possam caminhar com seus próprios pés, estejam preparados para a gestão de seus territórios, possam estar fortalecidos tanto na gestão quanto na segurança alimentar, e assim possam sair da dependência de políticas externas”.

A formação teve início com a abordagem dos princípios básicos da piscicultura, incluindo a alimentação dos peixes, o manejo adequado e o preparo de ração, tanto convencional quanto industrializada. Também foram trabalhados conteúdos sobre os sistemas de criação intensivo e semi-intensivo, a variedade de espécies de peixes, os tamanhos adequados de tanques, a qualidade da água e a quantidade ideal de peixes por tanque.

Aula teórica

Além disso, a formação destacou como cada povo deve adaptar o manejo da piscicultura à sua realidade, utilizando os recursos disponíveis em seus territórios, com foco no aproveitamento de ração natural e em alternativas ao uso de ração industrializada.

Preparação da rede para pegara os peixes para a biometria

A oficina foi encerrada com uma ampla aula prática dedicada à biometria dos peixes, na qual os participantes realizaram medições de comprimento, pesagem e análises de diversos fatores que influenciam o manejo da piscicultura.

Durante a atividade, cada participante teve a oportunidade de aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da formação, realizando testes de qualidade da água, medições dos tanques e de profundidade, além da aferição do pH da água. A prática permitiu aplicar, de forma direta, os conteúdos teóricos, fortalecendo a capacitação técnica para o manejo sustentável da piscicultura.

Aula prática para análise de água

A realização da formação representa mais um avanço nas ações desenvolvidas pela OPIRJ e uma conquista para o movimento indígena da região do Juruá. A organização segue atuando em prol do fortalecimento dos territórios e na garantia dos direitos dos povos indígenas da região. A OPIRJ também expressa sua gratidão ao Fundo Amazônia pelo apoio, que possibilita mais um passo rumo à autonomia e à segurança alimentar dos territórios.

A próxima etapa está prevista para atender os demais povos da região do Juruá, incluindo Nukini, Nawa, Puyanawa, Noke Koî, Shawãdawa, Jaminawa do Igarapé Preto e Yawanawá, ampliando o alcance da capacitação e fortalecendo as iniciativas de piscicultura nos territórios indígenas.

Turma da Formação em Piscicultura e Preparação de Ração para os territórios indígenas do Alto Juruá.