OPIRJ realiza entrega do Núcleo Indígena de Gestão Integrada do povo Nukini e fortalece a autonomia territorial no Vale do Juruá
No dia 19 de abril de 2026, data simbólica em que se celebra o Dia dos Povos Indígenas, a Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ) realizou a entrega do Núcleo Indígena de Gestão Integrada (NIGI) do povo Nukini, na aldeia Isã, território marcado por sua importância histórica, cultural e política para o povo Nukini.
A entrega oficial foi conduzida pelo coordenador da OPIRJ, Francisco Piyãko, ao lado do tesoureiro Luiz Nukini, com a presença de Anchieta Shawãdawa, responsável pela empresa executora da obra (JN Cruz), além da equipe técnica da OPIRJ. O momento reuniu lideranças tradicionais, professores, jovens, crianças e toda a comunidade, reafirmando o caráter coletivo da conquista.
A programação teve início com apresentação cultural organizada pela própria comunidade, seguida da partilha de caiçuma, fortalecendo os vínculos espirituais, culturais e comunitários que marcam esse tipo de conquista nos territórios indígenas.
Um espaço estratégico para a gestão do território.
O Núcleo Indígena de Gestão Integrada do povo Nukini foi construído com aproximadamente 200 m² e conta com infraestrutura completa: sistema de energia solar, internet, computadores, sala de reuniões, salão para assembleias, cozinha equipada, banheiros padronizados, além de mobiliário e materiais de escritório.
Mais do que uma estrutura física, o NIGI se consolida como um espaço estratégico de organização comunitária, onde serão realizadas reuniões, oficinas, formações, aulas, pesquisas, planejamento territorial e articulação política.
A entrega do espaço foi acompanhada por processos formativos, como cursos de informática e elaboração de projetos, fortalecendo a autonomia da comunidade para gerir o território e acessar políticas públicas e iniciativas próprias.
Esse modelo de estrutura faz parte de uma estratégia maior do movimento indígena da região, onde os NIGIs funcionam como bases de apoio para a gestão territorial e ambiental, contribuindo diretamente para a proteção dos territórios e o fortalecimento da governança indígena.
A força do movimento indígena e o legado dos ancestrais
Durante a cerimônia, as falas das lideranças reforçaram o significado profundo do espaço para o povo Nukini.
O coordenador da OPIRJ, Francisco Piyãko, destacou que o NIGI representa muito mais que uma obra:

“Essa casa é sagrada. É o espírito e a alma do povo. Não pertence a ninguém individualmente, pertence ao coletivo. É um espaço de união, aprendizado e respeito. Cada detalhe foi pensado com a comunidade.”
O presidente da Associação Indígena Nukini (AIN), Pistiani Nukini, definiu o momento como um renascimento:

“Estamos vivendo a realização de sonhos. É um novo tempo para o nosso povo, com mais organização, mais força e mais oportunidade para ensinar nossas crianças.”
Já o cacique geral Paulo Almeida destacou que o espaço já vinha sendo utilizado antes mesmo da entrega oficial:

“Esse núcleo já está servindo para oficinas, reuniões e práticas espirituais. É um espaço que fortalece nossa cultura e nossa organização.”
Um projeto estruturante para o Alto Juruá
A construção do NIGI do povo Nukini integra o Projeto Gestão Territorial OPIRJ, financiado pelo Fundo Amazônia, com execução iniciada em 2023 e previsão até 2026. O principal objetivo da iniciativa é promover a gestão territorial e ambiental integrada, fortalecendo a autonomia dos povos indígenas, a proteção da floresta, a segurança alimentar e a valorização cultural.
Entre as principais ações do projeto estão:
- Construção de Núcleos Indígenas de Gestão Integrada (NIGIs);
- Implantação de infraestrutura para proteção territorial;
- Apoio à segurança alimentar com piscicultura, viveiros e produção sustentável;
- Formação e capacitação em gestão, tecnologia e elaboração de projetos;
- Fortalecimento das organizações indígenas e da governança territorial.
Os NIGIs, em especial, são considerados espaços estratégicos dentro dessa política, funcionando como centros de articulação e execução das ações nos territórios.
Impacto nos territórios e continuidade das ações
Ao todo, o projeto já contempla diversos territórios indígenas da base da OPIRJ, como Kampa do Rio Amônia, Arara do Rio Amônia, Rio Gregório, Nukini, Kuntanawa e, em fase de implementação, o território Puyanawa.
Além dos núcleos, outras ações vêm sendo realizadas, como construção de casas de vigilância, casas de passagem, açudes, galinheiros e distribuição de equipamentos produtivos, sempre respeitando as demandas específicas de cada povo.
Essas iniciativas fortalecem diretamente a permanência das comunidades em seus territórios, contribuindo para a proteção da floresta e para a autonomia dos povos indígenas, que historicamente desempenham papel fundamental na conservação ambiental da Amazônia.
Fundo Amazônia e o fortalecimento da autonomia indígena
O coordenador da OPIRJ, Francisco Piyãko, também destacou a importância do apoio do Fundo Amazônia:

“Esse projeto representa um avanço histórico. Hoje conseguimos levar internet, fortalecer a segurança alimentar e chegar onde muitas políticas públicas não chegam. Estamos conectando os territórios e fortalecendo nosso povo.”
O Projeto Gestão Territorial OPIRJ é resultado direto do protagonismo indígena da região do Juruá, sendo construído a partir das demandas das próprias comunidades, consolidando uma estratégia de desenvolvimento baseada na autonomia, na cultura e na proteção do território.
Um marco para o povo Nukini
A entrega do Núcleo Indígena de Gestão Integrada do povo Nukini representa mais do que a finalização de uma obra: é a consolidação de um espaço de fortalecimento político, cultural e territorial.
É também um símbolo da continuidade da luta dos povos indígenas do Vale do Juruá, que seguem construindo seus próprios caminhos de desenvolvimento, com base na coletividade, no respeito aos ancestrais e na defesa do território.





