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O resultado das eleições de 2026 no Acre acende um alerta para o movimento indígena, para as organizações socioambientais e para todos aqueles que acompanham os debates sobre proteção da Amazônia e garantia de direitos. O avanço de forças políticas identificadas com a direita e com a extrema direita amplia a necessidade de acompanhar de perto os projetos que chegam ao Congresso Nacional e ao Governo do Estado e seus possíveis impactos sobre os territórios, as florestas e os povos indígenas.

O resultado das urnas não deve ser analisado apenas como uma disputa entre nomes e partidos, mas também como um reflexo dos diferentes projetos políticos para o futuro do Acre. De um lado, estão parlamentares da direita que defendem a expansão da infraestrutura, da produção rural e da exploração econômica dos recursos naturais, propostas que, quando priorizam interesses econômicos em detrimento da proteção ambiental e dos direitos territoriais, podem representar sérias ameaças à Amazônia. A falta de consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas, a ausência de estudos adequados sobre os impactos socioambientais e a desconsideração das comunidades tradicionais revelam os riscos de um modelo de desenvolvimento que coloca o crescimento econômico acima da floresta em pé e dos direitos de quem vive nela. De outro lado, está a defesa de políticas que conciliem desenvolvimento econômico, sustentabilidade, proteção ambiental e garantia dos direitos territoriais, considerando as necessidades das comunidades e os limites dos ecossistemas. O Acre precisa de um projeto de desenvolvimento que respeite seus povos e territórios, e não de uma expansão econômica desenfreada que ignore os riscos de desmatamento, conflitos territoriais e destruição ambiental. Afinal, não há progresso verdadeiro quando os benefícios econômicos ficam concentrados enquanto os povos indígenas e as comunidades tradicionais arcam com os prejuízos sociais e ambientais.

O resultado para o Senado e o avanço da direita

Nas eleições de 4 de outubro, Márcio Bittar (PL) e Mara Rocha (Republicanos) foram eleitos para representar o Acre no Senado Federal pelos próximos oito anos. Bittar recebeu 223.972 votos, correspondentes a 25,59% dos votos válidos, enquanto Mara Rocha obteve 157.104 votos, ou 17,95%.

Os dois parlamentares possuem trajetórias políticas alinhadas à direita e defendem pautas voltadas à expansão da infraestrutura, ao agronegócio, à produção rural e à flexibilização de regras ambientais. Sob o discurso do desenvolvimento econômico, essas propostas levantam sérias preocupações sobre os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, especialmente quando priorizam interesses econômicos em detrimento da proteção dos territórios e da floresta.
A defesa de grandes obras, da abertura de estradas e da exploração dos recursos naturais, sem garantias efetivas de proteção ambiental e respeito à consulta prévia, livre e informada dos povos indígenas, pode ampliar as ameaças aos territórios tradicionais e às Reservas Extrativistas. A falta de planejamento socioambiental e de participação das comunidades afetadas pode resultar em desmatamento, invasões territoriais, conflitos e destruição de modos de vida que dependem diretamente da floresta.
No caso de Bittar, sua atuação política destaca a defesa de infraestrutura, do agronegócio, da produção e da integração do Acre com o Pacífico, projetos que precisam ser questionados quando não colocam os direitos territoriais e a preservação ambiental como prioridades. Mara Rocha, por sua vez, também defende a ampliação da infraestrutura, o desenvolvimento regional, a produção rural, a regularização fundiária e a revisão de regras ambientais, pautas que exigem atenção diante dos riscos de flexibilização da proteção da floresta e de fragilização dos direitos das populações tradicionais.
Foto: G1

O que está em jogo é o modelo de desenvolvimento que se pretende impor à Amazônia. Não se pode aceitar que o progresso seja usado como justificativa para abrir caminhos à exploração predatória, enfraquecer a legislação ambiental ou desconsiderar a voz dos povos que historicamente protegem esses territórios. Para os povos indígenas e as comunidades extrativistas, a floresta não é apenas um recurso econômico: é território, cultura, ancestralidade e condição de existência. Qualquer projeto que ignore essa realidade precisa ser duramente questionado.

Mara Rocha, por sua vez, tem entre suas bandeiras a ampliação da infraestrutura, o desenvolvimento regional, a produção rural, a regularização fundiária e a revisão de regras ambientais. Recentemente, a parlamentar também defendeu a anistia de multas ambientais, uma posição que levanta preocupações sobre o enfraquecimento da fiscalização e da responsabilização por danos à natureza. Medidas dessa natureza podem reduzir o efeito das sanções ambientais e transmitir a mensagem de que infrações podem ser perdoadas, colocando a aplicação das leis em segundo plano e aumentando os riscos de novas pressões sobre a floresta amazônica, os territórios indígenas e as Reservas Extrativistas.

A nova composição do Senado representa, portanto, um cenário que merece atenção por parte das organizações indígenas e socioambientais, principalmente diante de projetos que envolvem unidades de conservação, infraestrutura, exploração econômica e uso dos recursos naturais.

Direitos indígenas sob pressão

A experiência recente demonstra que as políticas ambientais e indígenas podem sofrer mudanças profundas conforme a correlação de forças políticas no país.

Entre 2019 e 2022, o Fundo Amazônia ficou sem aprovação e contratação de novos projetos após a dissolução de sua governança. O Comitê Orientador do Fundo Amazônia foi reinstalado somente em 2023, permitindo a retomada da análise e aprovação de projetos.
Foto: exame.com

No mesmo período, debates como o marco temporal ganharam força no Congresso Nacional. A Lei nº 14.701, que regulamentou a tese do marco temporal e outros temas relacionados às terras indígenas, foi aprovada posteriormente, em 2023, já depois daquele período.

Para os povos indígenas, a discussão não é abstrata. Questões como demarcação, proteção territorial, fiscalização ambiental, saúde, educação, segurança alimentar e gestão territorial têm consequências diretas sobre a vida das comunidades.

Por isso, a composição do Congresso Nacional e dos governos estaduais precisa ser acompanhada não apenas durante as eleições, mas durante todo o mandato.

Serra do Divisor: desenvolvimento a qualquer custo?

Um dos exemplos mais importantes desse debate no Acre é o Parque Nacional da Serra do Divisor.

Em 2019, a então deputada federal Mara Rocha apresentou o Projeto de Lei nº 6.024/2019, que propunha alterações nos limites da Reserva Extrativista Chico Mendes e a mudança da categoria do Parque Nacional da Serra do Divisor para Área de Proteção Ambiental (APA). A própria documentação oficial da Câmara dos Deputados registra Mara Rocha como autora do projeto.
Foto: portalamazonia.com

A diferença entre essas categorias de unidade de conservação é significativa. O Parque Nacional integra o grupo de Unidades de Conservação de Proteção Integral, nas quais a preservação da natureza é o objetivo central e o uso dos recursos naturais é mais restritivo. Já uma Área de Proteção Ambiental pertence ao grupo de Uso Sustentável, permitindo maior compatibilidade entre conservação e determinadas atividades humanas.

A proposta apresentada por Mara Rocha justificava a mudança, entre outros argumentos, pela necessidade de facilitar atividades econômicas e a construção do trecho da BR-364 em direção ao Peru.

A discussão, portanto, vai muito além da alteração de uma categoria administrativa. Trata-se de decidir qual modelo de desenvolvimento será priorizado para uma região de enorme importância ambiental e social.

O desafio é pensar em formas de gerar renda, emprego e oportunidades sem transformar a floresta em mera fonte de exploração. Turismo de base comunitária, pesquisa científica, manejo sustentável, cadeias produtivas da sociobiodiversidade e valorização dos conhecimentos tradicionais também podem fazer parte de um projeto de desenvolvimento para o Acre.

BR-364 até Pucallpa: desenvolvimento para quem e a que custo?

Outro projeto que precisa ser acompanhado é a proposta de ligação da BR-364 entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru.

Márcio Bittar é um antigo defensor da continuidade da rodovia até o território peruano. Em pronunciamento no Senado, afirmou que a ligação entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa seria estratégica para o Acre e para a saída da produção ao Pacífico. Em seu atual projeto político, também defende a conclusão da BR-364 até Pucallpa.

Os defensores da obra argumentam que a integração poderia ampliar o comércio, reduzir custos logísticos, fortalecer a economia regional e criar uma nova rota comercial entre o Brasil e o Peru.
Foto: ac24horas.com

Mas a pergunta que precisa ser feita é: desenvolvimento para quem e a que custo?

A abertura de grandes corredores rodoviários na Amazônia pode produzir efeitos que vão muito além da estrada. A expansão de ramais, ocupações, especulação fundiária, desmatamento, exploração ilegal de madeira e pressão sobre territórios indígenas são alguns dos impactos que precisam ser considerados antes da implantação de grandes obras.

Em 2019, durante debates sobre a ampliação da BR-364, lideranças indígenas da região chegaram a manifestar oposição ao projeto. Em 2023, a Justiça Federal suspendeu uma licitação relacionada à expansão do trecho entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa e determinou que a consulta prévia aos povos tradicionais e indígenas atingidos fosse observada antes da continuidade do processo.

Isso demonstra que a infraestrutura não pode ser discutida apenas como uma questão de logística. É também uma questão territorial, ambiental e de direitos indígenas.

Fundo Amazônia: políticas que chegam aos territórios

O Fundo Amazônia representa outro exemplo de como decisões políticas nacionais podem chegar diretamente às comunidades.

Após a paralisação de novos projetos entre 2019 e 2022, o fundo retomou sua governança em 2023. Desde então, houve ampliação dos investimentos destinados aos povos indígenas. O relatório anual do BNDES aponta que, entre 2023 e 2024, foram aprovados cerca de R$ 150 milhões em recursos para iniciativas voltadas aos povos indígenas, além de um aumento significativo da participação das próprias organizações indígenas na elaboração e execução dos projetos.

Assinatura do contrato para a execução do Projeto de Gestão Territorial da OPIRJ na Terra Indígena Puyanawa, em 2023.
Foto: A Gazeta do Acre

Em 2026, o BNDES informou que o Fundo Amazônia já alcançava mais de 650 organizações, 169 Terras Indígenas, 192 Unidades de Conservação e cerca de 260 mil pessoas.

Esses recursos podem se transformar em ações concretas nos territórios: gestão territorial e ambiental, segurança alimentar, produção sustentável, fortalecimento institucional, proteção territorial, monitoramento, cultura e valorização dos conhecimentos tradicionais.

No Acre, projetos dessa natureza mostram que políticas públicas e mecanismos de financiamento ambiental podem fazer diferença diretamente nas comunidades. Por isso, a disputa política também envolve decidir quais políticas terão continuidade, quais serão ampliadas e quais poderão ser enfraquecidas.

6.342 eleitores indígenas e a mobilização para o segundo turno

No primeiro turno de 2026, dados utilizados por organizações indígenas apontaram cerca de 6.342 eleitores indígenas ativos no Acre. Esse número representa uma parcela importante do eleitorado indígena do estado e demonstra que os povos indígenas também constituem uma força política que precisa ser considerada nas eleições.

Mais do que contabilizar votos, entretanto, é necessário discutir como essa força eleitoral pode se transformar em participação política organizada.
Foto: Teyãko Wewito

A mobilização indígena para o segundo turno acontece em um contexto no qual diferentes organizações e lideranças discutem os projetos apresentados pelos candidatos e seus possíveis impactos sobre os territórios.

O voto indígena não deve ser compreendido apenas como instrumento de negociação eleitoral. Ele também pode ser uma ferramenta para cobrar compromissos, acompanhar políticas públicas e fortalecer a capacidade de organização dos povos indígenas.

A representatividade indígena que ainda não chega ao Parlamento acreano

As eleições de 2026 também evidenciaram uma questão que precisa ser enfrentada pelo próprio movimento indígena: por que, apesar da presença histórica dos povos indígenas no Acre, ainda existe tanta dificuldade para transformar essa presença em representação institucional?

Neste pleito, lideranças indígenas como Isaac Piyãko e Cacique Ninawá Huni Kuĩ disputaram vagas para o Legislativo. Também houve outras candidaturas indígenas, como Jorge Huni Kuĩ e Siã Huni Kuĩ.
Foto: Samuel Arara

Soleane Manchineri integrou uma chapa ao Senado como 1ª suplente de Professor Inácio Moreira (PSOL), e não como candidata titular ao Senado. O registro eleitoral confirma sua posição na chapa.

Apesar da presença dessas candidaturas, nenhuma delas conquistou uma cadeira titular no Legislativo acreano em 2026.

Esse resultado precisa provocar uma reflexão dentro do movimento indígena.

Muitas vezes, eleitores indígenas apoiam candidatos não indígenas por razões políticas legítimas: acesso a recursos, emendas parlamentares, alianças institucionais, diálogo com governos ou compromissos assumidos com determinadas comunidades.

Essas alianças podem ser importantes. O movimento indígena precisa dialogar com diferentes setores da sociedade e construir relações institucionais.

Mas existe também uma pergunta necessária: até que ponto a dependência de apoios externos pode dificultar a construção de uma representação política indígena própria?

Ter indígenas ocupando espaços de poder não significa rejeitar aliados não indígenas. Significa reconhecer que os próprios povos precisam estar presentes nos espaços onde as decisões sobre seus territórios e seus direitos são tomadas.

Um parlamentar indígena chega ao Parlamento trazendo uma experiência política construída dentro dos territórios. Conhece as dificuldades da saúde indígena, da educação, da produção, da proteção territorial e da vida comunitária não apenas por relatórios, mas por experiência direta.

191 candidaturas indígenas: mais presença, mas ainda pouca representação

No cenário nacional, 2026 registrou um número recorde de candidaturas indígenas.

Segundo levantamento da APIB e da Campanha Indígena, com base em dados do TSE, foram registradas 191 candidaturas de pessoas que se autodeclararam indígenas nas eleições gerais de 2026. O número representa um crescimento de aproximadamente 125% em relação às 85 candidaturas registradas em 2014. Foram 133 em 2018, 186 em 2022 e 191 em 2026.

O levantamento mostra que, em 2026, foram registradas 75 candidaturas indígenas para deputado federal, 99 para deputado estadual, quatro para o Senado, três para governo, três para deputado distrital, duas para vice-governador e outras candidaturas para suplência.

O aumento é significativo, mas candidatura não significa necessariamente representação.

Após as eleições, três pessoas autodeclaradas indígenas foram eleitas para a Câmara dos Deputados, enquanto quatro foram eleitas para as assembleias legislativas. Nenhuma das 54 vagas renovadas no Senado foi conquistada por uma pessoa autodeclarada indígena. Sônia Guajajara foi reeleita deputada federal por São Paulo.
Foto: revistaforum

O dado revela uma contradição: os povos indígenas estão ocupando cada vez mais o espaço eleitoral, mas continuam sub-representados nas instituições.

O desafio do Acre: transformar presença em representação

O Acre possui uma das histórias indígenas mais fortes da Amazônia brasileira. São povos com territórios demarcados, organizações próprias, movimentos de juventude, mulheres indígenas, associações comunitárias e uma longa trajetória de resistência.

Mas essa força social ainda não se converteu proporcionalmente em representação política institucional.

Para mudar esse cenário, será necessário investir em formação política, comunicação, organização comunitária, planejamento eleitoral, financiamento de campanhas, formação de novas lideranças e fortalecimento das organizações indígenas.
Foto: Samuel Arara

A juventude também possui papel central nesse processo.

As novas gerações estão ocupando universidades, organizações, espaços de comunicação, projetos ambientais e instituições públicas. Essa presença pode contribuir para construir novas formas de participação política e ampliar o debate para além dos períodos eleitorais.

A comunicação também é estratégica. É preciso que os próprios povos indígenas contem suas histórias, apresentem suas propostas, fiscalizem governos e parlamentares e ocupem as redes sociais e os meios de comunicação para discutir narrativas sobre seus territórios.

O segundo turno e a falta de uma representação indígena forte

No dia 25 de outubro, o Acre volta às urnas para decidir o próximo governador. No segundo turno estão Mailza Assis (PP), atual governadora, e Alan Rick (Republicanos). Mailza teve 49,76% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto Alan Rick obteve 32,27%.

A chapa de Mailza tem Jéssica Sales (MDB) como candidata a vice-governadora, enquanto Alan Rick concorre com Ricardo Leite (Republicanos).
Foto: ac24horas.com

O segundo turno ocorre em um cenário político no qual setores do movimento indígena identificam os grupos envolvidos na disputa com o campo da direita e da direita conservadora. Ao mesmo tempo, ambos os projetos precisam ser analisados pelas comunidades a partir de propostas concretas e de seus possíveis impactos.

Para os povos indígenas, questões como saúde, educação, proteção territorial, produção sustentável, segurança alimentar, cultura e participação social precisam estar no centro desse debate.

O fato de não haver uma liderança indígena ocupando o centro da disputa pelo Governo do Estado também evidencia a dificuldade histórica de transformar a presença indígena em protagonismo institucional.

Mas essa ausência não precisa ser permanente.

Conclusão: transformar presença em força política

O avanço da direita e da extrema direita no Acre acende um alerta não apenas para o movimento indígena, mas para todos que defendem a proteção da Amazônia, dos territórios e dos direitos conquistados ao longo de décadas de luta. O resultado das urnas precisa ser compreendido para além dos números: ele revela uma disputa permanente de projetos para o Estado, para a floresta e para os povos que vivem nela.

Diante desse cenário, não basta aos povos indígenas serem lembrados durante o período eleitoral. É preciso fortalecer a organização política, formar novas lideranças, ampliar a participação da juventude, ocupar os espaços de decisão e construir estratégias próprias de comunicação e mobilização. A presença indígena precisa estar nas comunidades, nas organizações, nas universidades, nos conselhos, nas instituições públicas e também no Parlamento.

As 191 candidaturas indígenas registradas em 2026 mostram que existe uma disposição cada vez maior de ocupar a política institucional. Mas candidatura, por si só, não garante representação. O desafio agora é transformar essa presença em uma força política organizada, capaz de disputar projetos, eleger representantes comprometidos com os territórios e acompanhar permanentemente aqueles que chegam aos espaços de poder.

No Acre, onde os povos indígenas possuem uma história de resistência e uma presença fundamental na proteção da floresta, essa mobilização precisa ser permanente. É necessário fortalecer alianças, ampliar o diálogo entre os povos, investir na formação política e eleitoral, apoiar novas lideranças e criar estratégias para que a voz das comunidades não seja utilizada apenas em períodos de campanha.

O segundo turno é apenas mais uma etapa desse processo. Independentemente do resultado das urnas, a mobilização precisa continuar depois das eleições: cobrando compromissos, acompanhando políticas públicas, fiscalizando decisões que afetem os territórios e participando ativamente da construção das políticas que dizem respeito aos povos indígenas.

Mais do que escolher nomes, o momento exige organização, consciência política e mobilização permanente. A força dos povos indígenas não pode estar apenas na quantidade de eleitores ou de candidatos. Ela precisa se transformar em participação, representação e poder de decisão.

Porque defender os territórios, a floresta e os direitos indígenas também é disputar os rumos políticos do Acre e da Amazônia.