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A Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), em parceria com o Instituto Conexão Povos da Floresta (ICPF), vem desenvolvendo ações para ampliar o acesso à conectividade e fortalecer a inclusão digital nos territórios indígenas do Vale do Juruá. A iniciativa busca levar não apenas acesso à internet, mas também conhecimento, autonomia e novas possibilidades para as comunidades.

O trabalho faz parte do Projeto Gestão Territorial da OPIRJ, por meio do Eixo 1 – Fortalecimento Institucional e Ações Administrativas, Contábeis e de Suporte Tecnológico, especificamente no Item de Custo 1.1.18 – Serviços de Internet para Territórios Indígenas. A ação tem como objetivo fortalecer a estrutura de comunicação da organização e ampliar o acesso das comunidades às ferramentas digitais.

A OPIRJ atua em 15 territórios indígenas e, ao longo desse processo, já foram instalados serviços de internet nos territórios Puyanawa, Nukini, Nawa, Jaminawa do Igarapé Preto, Kampa do Rio Amônia, Campinas Katukina, Arara do Igarapé Humaitá, Arara do Rio Amônia, Jaminawa-Arara do Rio Bagé, Kaxinawá/Ashaninka do Rio Breu e na Terra Indígena do Rio Gregório.

Com a continuidade das ações, a organização avançou para os territórios do Jordão, contemplando a Terra Indígena Seringal Independência, Kaxinawá do Alto Rio Jordão e Kaxinawá do Baixo Rio Jordão. A chegada da conectividade a esses territórios representa um avanço importante para a construção de uma rede de comunicação capaz de aproximar as comunidades indígenas entre si e também fortalecer a comunicação com a OPIRJ.

Conectividade chega ao Alto Rio Jordão e Alto Rio Tarauacá

Para realizar essa etapa, o técnico da OPIRJ, Jairo Shawãdawa, percorreu os territórios Kaxinawá do Alto Rio Jordão e Seringal Independência, no Alto Rio Tarauacá. A missão teve como objetivo instalar os kits de conectividade e realizar capacitações com representantes das comunidades, preparando-os para o monitoramento da internet e para orientar os demais comunitários sobre o uso consciente das ferramentas digitais.

O trabalho exigiu planejamento e enfrentamento de dificuldades relacionadas principalmente ao deslocamento até as aldeias.

Segundo o técnico Jairo Shawãdawa, no Alto Rio Jordão o percurso levou aproximadamente oito horas de viagem subindo o rio. Durante o período da atividade, o rio apresentava um nível bastante baixo, tornando o deslocamento ainda mais difícil e exigindo atenção e cuidado durante todo o trajeto.

“Para realizar as instalações nos territórios indígenas, enfrentamos algumas dificuldades, principalmente relacionadas ao deslocamento e ao acesso às comunidades mais distantes. No Alto Rio Jordão, por exemplo, são aproximadamente oito horas de viagem subindo o rio para chegar até os territórios. Nesse período, o rio estava bastante seco, o que dificultou ainda mais o deslocamento e exigiu bastante cuidado durante o percurso.”

Mesmo diante das dificuldades, a equipe conseguiu realizar as instalações previstas no Alto Rio Jordão. Foram instalados três kits de conectividade nas aldeias Pão Sagrado, Pé do Monte e Cana fista, utilizando as escolas das comunidades como espaços para instalação dos equipamentos e criação dos pontos de acesso à internet.

Além da instalação dos equipamentos, a equipe realizou um processo de capacitação com dois facilitadores de cada aldeia. A proposta é que essas pessoas tenham um contato mais direto com os equipamentos e possam auxiliar os demais comunitários no uso adequado da internet e das ferramentas digitais.

“A ideia foi que esses facilitadores pudessem ter um acesso mais direto aos equipamentos e, ao mesmo tempo, ajudar os demais comunitários no uso consciente da internet e das ferramentas digitais.”

Durante as capacitações, também foi possível perceber alguns dos desafios enfrentados pelas comunidades no processo de inclusão digital. De acordo com o técnico, os moradores apresentam maior familiaridade com o uso do celular, mas ainda existem dificuldades relacionadas ao uso de computadores e de outras ferramentas tecnológicas.

“A ideia foi que esses facilitadores pudessem ter um acesso mais direto aos equipamentos e, ao mesmo tempo, ajudar os demais comunitários no uso consciente da internet e das ferramentas digitais.”

No Alto Rio Jordão, foram aproximadamente três dias de trabalho, envolvendo a instalação dos equipamentos, capacitações e orientações sobre o uso consciente da internet, buscando fortalecer o desenvolvimento individual e coletivo das comunidades.

Após a conclusão das atividades no Alto Rio Jordão, a equipe seguiu para o Alto Rio Tarauacá, na Terra Indígena Seringal Independência. O deslocamento até o território levou aproximadamente duas horas e também apresentou desafios para o acesso às comunidades.

No território, foram realizadas duas instalações, nas aldeias Mãe bena e Altamira. Assim como no Alto Rio Jordão, a equipe também realizou a capacitação dos facilitadores e trabalhou orientações sobre o uso consciente da internet.

A estratégia adotada busca garantir que os próprios comunitários possam auxiliar no manuseio dos equipamentos, solucionar dúvidas básicas e compartilhar os conhecimentos adquiridos com os demais moradores.

Ao todo, a ação teve como objetivo a instalação de cinco kits de conectividade nos territórios do Alto Rio Jordão e da Terra Indígena Seringal Independência, no Alto Rio Tarauacá.

Muito além de levar internet

Para o técnico responsável pela ação, o objetivo do trabalho vai muito além de instalar equipamentos e disponibilizar acesso à internet.

“Mas o objetivo não é somente levar internet. É levar empoderamento, inclusão digital e novas possibilidades para essas comunidades, fortalecendo os povos e os territórios indígenas.”

O Instituto Conexão Povos da Floresta trabalha com cinco pilares importantes: educação, saúde, empoderamento digital, ancestralidade e cultura e empreendedorismo. A conectividade, portanto, pode ser utilizada pelas comunidades em diferentes áreas, de acordo com suas necessidades.

Com acesso à internet, os moradores podem ampliar as possibilidades de estudo, acessar informações relacionadas à saúde, fortalecer e divulgar sua cultura e seus conhecimentos tradicionais, desenvolver atividades de empreendedorismo e estabelecer comunicação com pessoas e instituições que estão fora dos territórios.

“Quando levamos conectividade para uma aldeia, estamos criando possibilidades para que a comunidade possa utilizar a internet em diferentes áreas, seja para estudar, acessar informações de saúde, fortalecer sua cultura e ancestralidade, divulgar seus conhecimentos, desenvolver atividades de empreendedorismo ou simplesmente se comunicar com outras pessoas.”

Internet fortalece a organização e a representatividade dos territórios

A expansão da conectividade também possui uma importância estratégica para a própria OPIRJ. Com os territórios conectados, a organização passa a ter uma comunicação mais rápida e próxima com as lideranças indígenas.

Para Francisco, coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), o acesso à internet facilitou significativamente a organização dos territórios e fortaleceu a participação das comunidades nas reuniões, nas tomadas de decisões e em outras ações relacionadas à garantia dos direitos dos povos indígenas sobre seus territórios.

Segundo ele, antes da chegada da conectividade, manter uma comunicação constante com as lideranças era um dos grandes desafios enfrentados pela organização. As grandes distâncias entre os territórios e as dificuldades de deslocamento faziam com que uma simples comunicação pudesse levar dias para acontecer.

Com a expansão da conectividade, essa realidade mudou. Atualmente, a OPIRJ consegue manter um contato mais frequente e direto com as lideranças, realizar reuniões virtuais e discutir demandas que anteriormente dependiam de deslocamentos presenciais.

“Hoje conseguimos falar com as lideranças todos os dias, conseguimos realizar reuniões online e decidir várias demandas que antes não conseguíamos porque os territórios não tinham acesso à internet.”

A internet também passou a ser uma ferramenta importante para a organização de assembleias, encontros e outros eventos que envolvem diferentes territórios indígenas. Antes da realização dessas atividades, a OPIRJ consegue reunir as lideranças virtualmente para levantar informações, alinhar decisões e organizar questões relacionadas à logística.

“Hoje, para realizar assembleias e eventos que envolvem os territórios, marcamos reuniões online para obter informações e repassar informações sobre logística. Esse acesso facilitou tanto para os territórios quanto para a organização, que precisava ter um contato imediato.”Para a coordenação da OPIRJ, a conectividade representa, portanto, uma mudança importante na forma de organização e articulação dos povos indígenas. A possibilidade de manter um diálogo contínuo com as lideranças fortalece a participação dos territórios nas decisões e contribui para que suas demandas sejam apresentadas e discutidas de maneira mais rápida e efetiva.

Uma ponte entre os territórios e a OPIRJ

O objetivo da organização é continuar ampliando a conectividade para que os territórios indígenas estejam cada vez mais integrados e a OPIRJ possa acompanhar de forma mais próxima o que acontece em cada comunidade.

A internet permite repassar notícias, receber informações diretamente das aldeias e acompanhar as demandas dos territórios. Também facilita o acesso à educação e à saúde, além de possibilitar uma comunicação mais rápida com órgãos institucionais.

Nesse sentido, a conectividade funciona como uma verdadeira ponte entre os territórios e a OPIRJ, aproximando a organização das lideranças e permitindo um acompanhamento mais constante das diferentes realidades vivenciadas pelas comunidades.

“Percebemos que existe uma certa facilidade no uso do celular, mas, em relação ao computador e a outras ferramentas digitais, ainda existem algumas dificuldades. Por isso, a capacitação foi muito importante para que os próprios comunitários pudessem se apropriar da tecnologia e desenvolver autonomia para utilizá-la no dia a dia.”

Tecnologia a serviço dos povos indígenas

A parceria entre a OPIRJ e o Instituto Conexão Povos da Floresta demonstra que a conectividade pode ser uma importante ferramenta para fortalecer a autonomia, a organização e a comunicação dos povos indígenas.

“Todo esse trabalho realizado pela OPIRJ em parceria com o Conexão Povos da Floresta tem como objetivo fazer com que essas aldeias estejam conectadas e tenham cada vez mais autonomia para utilizar a tecnologia. A conectividade, nesse sentido, não é apenas uma ferramenta de comunicação, mas também uma forma de fortalecer as comunidades, ampliar oportunidades e contribuir para o fortalecimento dos povos da floresta e dos seus territórios.”

A chegada da internet aos territórios do Jordão representa mais um passo na construção dessa rede de comunicação. Ao ampliar o acesso à tecnologia para comunidades que enfrentam grandes desafios de deslocamento e comunicação, a iniciativa contribui para aproximar os territórios, fortalecer as lideranças e ampliar o acesso à informação.

Mais do que instalar equipamentos, a proposta é promover inclusão digital, autonomia e empoderamento, garantindo que os próprios povos indígenas possam se apropriar das tecnologias e utilizá-las de acordo com suas necessidades, seus modos de vida, seus conhecimentos tradicionais e seus projetos de futuro.

Com a expansão da conectividade, a OPIRJ fortalece uma rede que conecta não apenas territórios, mas também pessoas, comunidades e lideranças, criando novas possibilidades para a educação, saúde, comunicação, cultura, empreendedorismo e proteção dos territórios indígenas do Rio Juruá.

A iniciativa reafirma, assim, o compromisso da OPIRJ e do Conexão Povos da Floresta com o fortalecimento dos povos indígenas e com a construção de uma comunicação cada vez mais autônoma, integrada e acessível, colocando a tecnologia a serviço das comunidades e de seus próprios projetos de futuro.