OPIRJ realiza oficina de atualização do Plano de Gestão Territorial da Terra Indígena Campinas/Katukina
A Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), por meio do Projeto Gestão Territorial OPIRJ, com apoio do Fundo Amazônia, realizou a Oficina de Atualização do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) da Terra Indígena Campinas/Katukina. A atividade foi realizada entre os dias 10 e 21 de agosto, reunindo lideranças, mulheres, jovens, pajés e demais representantes da comunidade para um amplo processo de diálogo, escuta e planejamento sobre o futuro do território.
O Plano de Gestão Territorial e Ambiental é uma importante ferramenta de planejamento e organização das comunidades indígenas. Segundo Powa Noke Koî, cacique-geral da Terra Indígena Campinas/Katukina, o PGTA do território foi elaborado entre os anos de 2005 e 2008 e, diante das transformações vivenciadas ao longo dos anos, tornou-se necessária a sua atualização.

“Já estava na hora de atualizar o nosso PGTA, porque estamos vivendo novos momentos no território e precisamos pensar nos novos desafios que surgiram”, destaca Powa Noke Koî.
Ao longo dos anos, o povo Noke Koî tem enfrentado diferentes pressões e impactos no território. Entre os principais desafios estão as mudanças provocadas pela construção e presença de grandes infraestruturas na região, como a BR-364 e os linhões de transmissão de energia, que atravessam áreas próximas e impactam a dinâmica ambiental, social e cultural das comunidades.
A implantação dos linhões também trouxe novas negociações e desafios para o território, além de mudanças no cotidiano das comunidades. Entre essas transformações está a chegada da internet, que passou a fazer parte da realidade das aldeias, trazendo novas possibilidades para os mais velhos, jovens e crianças, ao mesmo tempo em que apresenta novos desafios relacionados à convivência e às transformações sociais no território.
Planejamento para o futuro do território
Durante a oficina, foram discutidos diferentes aspectos relacionados à organização territorial, ao modo de vida e às condições atuais das comunidades. A atualização do PGTA busca compreender a realidade do território e estabelecer estratégias para o futuro, considerando temas como população, educação, saúde, infraestrutura, projetos comunitários, organização social e governança territorial.
Também foi realizado o levantamento das principais representações e funções existentes no território, incluindo a liderança-geral, caciques de cada aldeia, artesãs, pajés, professores, agentes de saúde, associações e organizações representativas. O objetivo é compreender como o território está organizado, identificar responsabilidades e fortalecer a participação comunitária no planejamento das ações futuras.
Outro eixo importante da oficina foi o mapeamento territorial participativo, construído a partir dos conhecimentos e das experiências das próprias comunidades. Foram levantadas informações sobre áreas de caça, locais de refúgio, possíveis pontos de invasão, ocorrência de caça ilegal, recursos hídricos, áreas de pesca, nascentes e cabeceiras.
Também foram discutidas as formas de utilização dos recursos naturais, incluindo o extrativismo, a coleta de plantas medicinais e madeira, além da identificação de áreas onde ocorrem desmatamentos e outros impactos ambientais. O planejamento também contempla o mapeamento das aldeias, das infraestruturas existentes e dos possíveis pontos de monitoramento territorial.
A partir desse diagnóstico participativo, a comunidade poderá identificar o que precisa ser melhorado, quais práticas precisam ser interrompidas e quais estratégias devem ser fortalecidas para garantir a qualidade de vida das aldeias e assegurar que o desenvolvimento do território esteja alinhado ao seu modo de vida, aos conhecimentos tradicionais e às prioridades do povo Noke Koî.
Proteção e defesa territorial
A atualização do PGTA representa ainda um importante instrumento para fortalecer a proteção e a defesa da Terra Indígena Campinas/Katukina, contribuindo para a construção de acordos comunitários, definição de prioridades e elaboração de estratégias para enfrentar as pressões e os desafios que podem surgir no território.
A construção do plano de forma participativa busca garantir que as decisões estejam fundamentadas na realidade das comunidades e que o planejamento territorial seja construído de maneira coletiva, respeitando a cultura, os conhecimentos tradicionais e os modos de vida do povo Noke Koî.
Para a realização da Oficina de Atualização do PGTA da TI Campinas/Katukina, foi contratada uma equipe de consultoria especializada, responsável por apoiar tecnicamente o processo de construção e sistematização das informações levantadas durante as atividades.
A contratação foi realizada por meio de Termo de Referência (TDR), divulgado pela OPIRJ em suas redes sociais e no site institucional da organização, na página “Trabalhe com a Gente”, garantindo transparência e ampla divulgação do processo de contratação.
Com mais essa ação, a OPIRJ reafirma seu compromisso com o fortalecimento da gestão territorial indígena, apoiando os povos do Vale do Juruá na construção de estratégias próprias para a proteção de seus territórios, valorização de seus modos de vida e garantia de autonomia para planejar o presente e o futuro de suas comunidades.
Projeto Gestão Territorial OPIRJ — fortalecendo os territórios indígenas para garantir autonomia, proteção e bem viver.


