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Atividade foi realizada por meio do Projeto Gestão Territorial, com recursos do Fundo Amazônia, e reuniu lideranças e diferentes segmentos da comunidade para atualizar as estratégias de gestão e proteção da Terra Indígena Puyanawa

A Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), por meio do Projeto Gestão Territorial, realizou a Oficina de Atualização do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) do povo Puyanawa, entre os dias 16 e 21 de setembro de 2026, na Terra Indígena Puyanawa, em Mâncio Lima, no Acre.

A atividade faz parte das ações desenvolvidas pela OPIRJ com recursos do Fundo Amazônia, que vêm apoiando os processos de atualização dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental nos territórios indígenas.

Para apoiar esse processo, foi lançado um Termo de Referência (TDR) para a contratação da equipe de consultoria responsável pela realização das oficinas e pelo processo de atualização dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental dos territórios Noke Koï, Puyanawa e Yawanawa.

Para a realização da atividade no território Puyanawa, a OPIRJ contou com a parceria da Comissão Pro-Indigenas do Acre (CPI-Acre). A oficina foi conduzida pelo professor Gleyson Teixeira, que acompanhou as discussões, atividades e metodologias desenvolvidas junto à comunidade durante o processo de atualização do PGTA.

A oficina reuniu lideranças, anciões, agricultores, agentes agroflorestais, agentes de saúde, professores, coordenadores de ensino, representantes da organização comunitária e demais participantes da comunidade, além do cacique Joel Puyanawa e representantes da OPIRJ e da CPI-Acre.

Foto: Carol Puyanawa (OPIRJ)

Um plano construído a partir da realidade atual do território

O PGTA Puyanawa foi elaborado anteriormente com a participação das aldeias Barão e Ipiranga. Desde sua elaboração, o território e a realidade da comunidade passaram por diferentes transformações sociais, ambientais e territoriais, tornando necessária a atualização do documento.

Ao longo dos dias de oficina, a comunidade revisitou questões apresentadas no plano anterior e discutiu as mudanças ocorridas no território e na vida do povo Puyanawa.

A programação abordou temas relacionados aos recursos florestais, caça, pesca, roçados, plantios, criação de animais, proteção territorial, mudanças climáticas, segurança alimentar, educação escolar, valorização cultural e relação com as comunidades do entorno.

A metodologia utilizada pela equipe da CPI-Acre promoveu momentos de diálogo, análise de mapas, trabalhos em grupos e construção coletiva de propostas, permitindo que os diferentes segmentos da comunidade contribuíssem com seus conhecimentos e experiências.

Durante a abertura da oficina, o cacique Joel Puyanawa destacou a importância de o próprio povo participar das decisões relacionadas ao território e construir coletivamente as regras e estratégias que irão orientar sua gestão.

“Somos nós por nós mesmos construindo esse plano e resolvendo nós mesmos as questões aqui de dentro, pois isso é autonomia”, afirmou o cacique Joel Puyanawa.
Foto: Carol Puyanawa (OPIRJ)

Mapeamento das ameaças e proteção territorial

Entre as atividades realizadas durante a oficina, a comunidade analisou mapas da Terra Indígena Puyanawa para identificar áreas de invasão, pressões territoriais, estradas abertas nos últimos anos, caminhos utilizados por caçadores, áreas de importância ambiental e cultural e locais que necessitam de maior atenção para as ações de monitoramento.

Foto: Carol Puyanawa (OPIRJ)

Os participantes também identificaram novos sítios de importância cultural e arqueológica, incluindo locais onde foram encontradas cerâmicas relacionadas à ocupação ancestral Puyanawa.

A partir desse levantamento, foram construídas propostas para fortalecer a proteção territorial, incluindo a limpeza periódica das linhas de limite, reposição de marcos de demarcação, instalação de novas placas de identificação e realização de expedições terrestres e fluviais de monitoramento e fiscalização.

A comunidade também discutiu a ampliação do uso de tecnologias nas ações de vigilância, como drones, câmeras de monitoramento, smartphones com aplicativos de geoprocessamento e registros georreferenciados.

Também foi apontada a necessidade de ampliar os equipamentos e meios de transporte utilizados nas ações de proteção territorial, incluindo barcos e outros equipamentos para apoiar as equipes comunitárias.

Proteção do território, cultura e memória

As discussões realizadas durante a oficina mostraram que, para o povo Puyanawa, a proteção territorial também está diretamente relacionada à preservação da memória, da cultura e dos lugares de importância ancestral.

A comunidade destacou a existência de antigas aldeias e malocas, áreas de uso tradicional, sítios arqueológicos e lugares sagrados que fazem parte da história do povo e que precisam ser considerados nas estratégias de gestão e proteção.

Entre as propostas discutidas está o fortalecimento da articulação com instituições como FUNAI, IPHAN e instituições de pesquisa, buscando contribuir para o reconhecimento, registro, conservação e proteção desses espaços.

Foto: Carol Puyanawa (OPIRJ)

Caça, pesca e segurança alimentar

A atualização do PGTA também possibilitou uma avaliação sobre a situação atual da caça e da pesca no território.

Os participantes discutiram mudanças na disponibilidade de algumas espécies, práticas de caça realizadas atualmente e pressões provocadas pela entrada de caçadores externos.

Também foi discutida a importância das áreas de refúgio para a conservação dos animais e dos recursos naturais, assim como a necessidade de fortalecer os acordos comunitários para garantir a sustentabilidade desses recursos.

A segurança alimentar foi outro tema central da oficina. Foram discutidas estratégias para fortalecer os roçados, plantios, criação de animais e outras formas de produção desenvolvidas pelas famílias Puyanawa.

Juventude, mulheres e novas gerações

A participação das novas gerações também esteve presente nas discussões.

Durante a oficina, foi destacada a necessidade de ampliar a participação de jovens e mulheres Puyanawa nas ações de monitoramento e proteção territorial, garantindo que diferentes gerações estejam envolvidas na gestão do território.

As mudanças sociais vivenciadas pela comunidade, o crescimento populacional, a proximidade com a cidade e o acesso às novas tecnologias também foram considerados no planejamento para os próximos anos.

A educação escolar e a transmissão dos conhecimentos tradicionais entre anciões, adultos, jovens e crianças também foram incorporadas às discussões do novo plano.

Foto: Carol Puyanawa (OPIRJ)

Regras de convivência e autonomia comunitária

Outro tema de destaque foi a revisão das regras internas da comunidade.

Os participantes retomaram normas estabelecidas anteriormente e discutiram situações que atualmente exigem novos acordos, como circulação e visitação de pessoas externas, trânsito de motocicletas e veículos, poluição sonora, consumo de bebidas alcoólicas, ocupação de áreas e respeito às regras estabelecidas pela comunidade.

Uma das propostas discutidas foi a produção de placas e cartilhas sobre direitos, deveres e regras comunitárias, contribuindo para que moradores e visitantes conheçam as normas estabelecidas coletivamente.

As discussões também reforçaram a importância da autonomia do povo Puyanawa para definir suas próprias regras de organização e uso do território, bem como identificar as situações em que é necessário buscar apoio das instituições públicas.

Fortalecimento da articulação com o entorno

A relação com as comunidades e moradores do entorno também foi incluída no planejamento.

Entre as propostas está o fortalecimento de encontros, reuniões e ações educativas com comunidades, assentamentos e moradores dos ramais vizinhos, buscando promover o diálogo e ações conjuntas de proteção ambiental.

Foram discutidas ações como proteção dos igarapés, reflorestamento de nascentes e prevenção e controle de incêndios florestais.

A comunidade também apontou a necessidade de fortalecer a articulação com órgãos públicos responsáveis pela proteção territorial e ambiental e pela segurança, buscando maior apoio às ações de monitoramento, fiscalização e atendimento às denúncias.

Participação da comunidade na construção do novo PGTA

Ao longo dos dias de trabalho, a atualização do PGTA foi construída a partir dos conhecimentos, experiências e necessidades apresentadas pela própria comunidade Puyanawa.

A equipe da CPI-Acre, sob condução do professor Gleyson Teixeira, contribuiu com o apoio técnico e metodológico para a realização das atividades, enquanto a OPIRJ acompanhou e coordenou a ação no âmbito do Projeto Gestão Territorial.

Na etapa final, a participação da comunidade foi ampliada, contando também com a presença de estudantes da Escola Ixubãy Rabuî Puyanawa, que acompanharam a leitura e avaliação da versão construída do novo plano.

Foto: Carol Puyanawa

A atualização do PGTA representa um importante processo de planejamento coletivo do povo Puyanawa, reunindo conhecimentos tradicionais, experiências das lideranças e contribuições de diferentes segmentos da comunidade para estabelecer estratégias de proteção territorial, conservação ambiental, segurança alimentar, valorização cultural, educação e organização comunitária.

Por meio do Projeto Gestão Territorial, a OPIRJ segue apoiando os povos indígenas do Juruá na construção e atualização de seus instrumentos próprios de gestão territorial e ambiental, fortalecendo os processos de autonomia, participação comunitária e proteção dos territórios indígenas.